Ano XIV
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  • Sinalizando



    Como diria um amigo meu, estes sinais não enganam quem conhece o caminho.
    Na minha experiência, uma das coisas que mais vezes surgiu evidenciada, é a incapacidade generalizada de se darem boas indicações a quem não sabe que caminho tem que tomar.
    É de facto um mal geral.
    O que talvez justifique que não se consigam encontrar as pessoas capazes de elaborar um projecto de sinalização capaz.
    Eu conheço muito poucos.
    Para não falar nas estradas e no ridículo de quase todas as novas sinalizações, apenas vos digo que foi em vão que tentei convencer da inutilidade do seu gesto um funcionário que teimava em colocar-me sobre a única porta de um gabinete que ocupei, um sinal de saída.
    Que era assim que tinha que ser.
    Quando saí do gabinete um pouco depois, verifiquei que no corredor junto ao acesso às escadas, não existia uma única placa de sinalização.
    Fazer o quê?
    Eu até aceito que alguém, que ali estivesse naquela sala de 10m2, no meio de um incêndio, sem luz de nenhum tipo, conseguisse divisar a placa a brilhar no escuro. Que o fumo, e mais não sei que desorientação pudesse tornar minimamente útil a placa.
    Depois descobri que faltavam não só as do acesso às escadas, mas em muitos outros locais de dúvida.
    Não vale a pena dizer mais nada, pois não?



    O estranho caso do loto



    Já não há lotos como antigamente.
    Nos clubes, com cartões da Majora e marcados com feijões.
    Quando o M.C. fixava os números e escondia os cartões debaixo do rabo. Eram os que saíam à borla.
    Agora é tudo com impressos para riscar.
    Uma das primeiras vezes que fomos experimentar a novidade, íamos sete ou oito.
    Entrámos no clube aqui da terra ao lado e ala para o loto. Para o loto, não. Para o bingo, se faz favor.
    Lá nos sentámos. Sala vazia. Não havia quorum.
    Vieram as simpáticas moçoilas com os bolinhos e o vinho do Porto, e a gente à espera.
    Nada de minis como no antigo loto.
    Lá chegaram mais uns quantos desocupados naquela tarde de sábado e rolaram as esferas.
    22 - eu à espera de ouvir "dois patinhos". Nada. Tudo muito profissional.
    Quando saiu o 11, disse baixinho o que estava à minha esquerda: "O número da cabeça".
    Mais umas bolas e grita o que estava à minha frente "Linha!"
    Boa! Está a começar bem. Eu a olhar à volta e a ver meia-dúzia de mesas ocupadas e a pensar que o prémio devia ser uma carrada de dinheiro.
    Mais uma rodada de bolas com voz fina, nada de gritos guturais como no loto, e zás: "Bingo!" Desta vez foi o meu parceiro do lado.
    Depois de mais bolos, a bandeirinha. E a massa. Uma resma de notas, nem dava para pagar as cervejas.
    Havia um que tinha que ir ter com a namorada mas como lhe saiu um bingo na terceira jogada da tarde, fechou-se em copas e ficou.
    O mais estranho é que, ao fim de algumas horas, ou a gente estava mesmo com sorte ou sei lá o quê, mas não houve um só da companhia que dissesse que tinha perdido dinheiro.
    Admirei-me. A sala continuava com muito pouca gente. De onde é que teria vindo o dinheiro?

    imagem em



    Lagoa Azul - Peninha - Sintra

    Momento nostálgico.
    Para todos os que participaram nessas romarias de Sintra, Montejunto e Arganil entre os meados de 70 e 86 (o ano do desastre de Joaquim Santos).
    E que sabem o que é um Fiat 131 Abarth e um Ford Rs 200.





    imagens aqui e aqui



    Totoloto

    Bem, vamos lá esclarecer as coisas.
    A todos os que ainda aqui possam cair na mira de um palpite milagroso, através de pesquisas tais como “como prever totoloto” (as aspas são minhas!), do dia 14 de Dezembro passado.
    Pois... não sei!
    Se eu soubesse, acham que dizia?
    É certo que, contra a opinião de muitos, incluindo o meu caro amigo que lecciona estatística lá em Atenas, mas com o apoio e a motivação de um velho amigo economista, há cerca de vinte anos, ainda a coisa era só totobola, que mato a cabeça a lutar contra as probabilidades.
    Mero exercício de recreação, dirão os mais lúcidos.
    O certo é que se conseguem resultados interessantes.
    E fascinantes. Modéstia muito à parte, já vi e analisei muito do software que outros loucos portugueses produziram, e nenhum é um disparate tão completo como este que conta com cerca de 20 anos de trabalho e 27 versões. A 28ª está em estudo e tal como na fórmula 1, ainda se utiliza a versão do ano anterior.
    Resultados? O algodão não engana - diz o mordomo.
    Maus. Muito maus.
    Mas a verificação de que, em certas condições, identificáveis a priori, e que não coincidem necessariamente com os grandes bolos acumulados, há boas probabilidades de uma aposta forte ser altamente lucrativa. Como nunca me dispus a aventuras, nem é meu hábito jogar todas as semanas, fica apenas a constatação dos resultados.
    Entretanto, o meu amigo M.C. já conseguiu comprar um carro à conta. Há muitos anos.





    Coisas que ainda hoje não faço

    Perguntar onde é a praia em Messejana.
    Perguntar pelas saídas em Entradas.
    Perguntar as horas em Aguiar.
    Dizer moita-carrasco na Moita.
    Em quantos mais sítios há ditos proibidos?



    Teste

    Duas imagens que são negativos uma da outra. Aceitam-se apostas para saber qual é a original.



    sempre estas câmaras



    A Marcha Radetzky, vinho do Porto e jornais de anteontem

    Ainda não descobri melhor forma de iniciar o ano.
    Mentira. Já descobri muitas outras.
    Mas hoje faz-me falta qualquer coisa que surge neste trecho de SG em dia de Ano Novo:

    "Como não teve réplica, saiu. Para a morrinha cinzenta que preenchia as ruas de gotas lentas e mornas.
    Escolheu ao acaso uma direcção e teimou com a humidade que quase lhe apagava o prazer de uma cigarrada.
    Ao atravessar a ponte sobre o canal, viu aparecer o Rodrigues a correr esbaforido, trazendo atrelada uma moça alta, tão alta como ele, que era um homem alto, e que lhe berrou, escolhendo-o para confessor:
    - Roubei a mulher ao morto!
    João, ainda que momentâneamente surpreendido, absolveu de imediato o seu velho conhecido:
    - Não lhe vai fazer grande falta!
    Rodrigues nem se detivera.
    João nem sequer sabia quem eram o morto e respectiva viúva mas tinha a certeza que o Rodrigues já era casado.
    Todavia, resolveu inverter a marcha, temendo encontrar-se com a família do morto, pois já se considerava cúmplice dos fugitivos.
    Optou por recolher-se da chuva na Sociedade Recreativa, onde se foi anichar a um canto. Perto, uma grande janela dava para um pátio calçado de seixos onde a humidade azulbrilhava sobre as pedras. Aí ficou, lendo o jornal da antevéspera, fumando muito sobre sucessivas chávenas de café e olhando o que restava da tarde através de cálices de medronho.
    "



    Tenham um bom ano



    O ano dos 45

    Antigamente mandar-me-iam para casa, onde já estou, com isto nos ombros.




    As idades

    Todos nós temos uma disputa com a idade.
    Quase sempre se inverte a certo ponto. Primeiro puxamos para a frente, queremos mais anos. Depois, para trás, à cata da juventude que se esvai como um sonho matinal.
    Se não é assim com todos, é com uma maioritária maioria(?).
    É certo que o ciclo solar faz sentido. Tanto o diário como o anual. O lunar já é de mais duvidosa utilidade, mas aceita-se que sirva a pescadores e a parteiras.
    A uns com mais propriedade que a outros.
    O certo é que, ambos, sol e lua foram precursores dos deuses.
    A minha questão é só esta: o tempo passou ou não sobre a espécie humana?
    Se passou, modificou-nos ou não?
    Se nos modificou, em que é que o fez?
    Terá sido em mostrar que os deuses eram de um tempo anterior?
    Se foi, porque é que as religiões ainda fazem sentido?
    Se não fazem, se são apenas instrumentos de controlo social, quanto tempo mais teremos de esperar para que se não temam deuses?
    O tempo para percebermos que apenas devemos temer os nossos feitos?
    E se assim é, quanto tempo até lá?



    Convenções

    Ver 2004 a partir de 2003



    Tal como todos os dias podemos ver o dia seguinte. Nada de novo na frente.

    imagem de câmara de tráfego na Finlândia, mais uma vez.



    Era velha

    O céu já escondeu o último sol
    Que a esta terra do verde ainda aqueceu.
    Marca-se outro traço na angústia
    Cimentada às quatro paredes gradeadas,
    Véu que se abate ou se destapa,
    Sol que renuncia ou se resolve,
    Pré-destino que as calendas pretenderam!
    Era uma era que outra era anunciava,
    Elo em sequência, sem cadência
    Que a marcar possa sem assaltos!
    Era efémera, diluída na razão
    Que a sua ponderação tem nos tempos todos.
    E com a era, já eram satisfeitos
    Tratos e contratos e outros aparatos
    Que, na era nova, obsoletos,
    São pesos-mortos no contar dos anos.
    E cá estamos!
    Reza o relógio no tique-taque baixo
    Que se confunde com o cardiorritmo!
    Sufraga-se a vela que se consome
    Como a vida, era após era!
    Rasguem a página que esta já era!

    1985

    SG, "Dizeres do Sul", 1993



    Um erro de data



    trecho de imagem da SIC



    Grrr... isto não é o cabo de Sagres

    Mesmo que se trate de música sacra de Haendel
    Este som não me preenche a lacuna
    A que sal basta para ficar desinfecta.
    Melodia de paisagens em língua desconhecida,
    Concebida para audições solenes a desoras
    De modo a que o ventre a que se refere
    Se recorte vago numa qualquer parede de fundo.
    Mensagem hidráulica e fetal
    De vitais fluidos repleta
    Ecoando sinais que remontam às origens
    Num caldo de cultura viciado
    Com os dados que o Operador manipulou.
    A verdade esconde-se assim num retrato genético
    Perpetuado em difusas multiplicações
    Carentes de uma explicação arrumada e demonstrativa
    De uma Lógica anciã e incorrupta
    Que alinhe os pontos discerníveis
    Numa emocionabilidade pura
    Pelas convulsas contorções dos geniais cérebros.
    A paz e a procura porque não compatíveis,
    Subsistem em contempladas pausas de percurso,
    Eivadas desta melodia simples e esmagadora
    A que o céu não é estranho.
    A noite é ainda madrinha desta encruzilhada
    Em que a interrogação se levanta a cada passada
    Como o pó dos caminhos velhos que já percorremos.
    Embora a imagem que subsiste
    Não se afaste muito do espectro embrionário que já fomos,
    Começamos a vaguear cansados
    Por sobre a História ou do que resta dela.

    1985

    SG, "Dizeres do Sul", 1993



    Com alguma sorte



    tentaremos chegar ao fim de 2004 com um 9155 na placa



    Dias sem Brylcreem



    Quase a dobrar a meta volante dos 2003 anos depois de uma data em que ninguém sabe o que aconteceu de relevante, reconheço que há dias sem Brylcreem.
    Fiz aqui uma aposta de escrever o que me viesse à cabeça quotidianamente.
    Logo com a condição de não comentar as actualidades.
    E, se há quem me leia, é porque alguma coisa com interesse aqui venho gravando.
    Mas há dias em que a coisa é chocha, muito chocha.
    Vejo este blogue muitas vezes como o comentador lateral das coisas.
    Como se num grande acidente rodoviário, apenas descrevesse com pormenor o símbolo da marca do automóvel cravado na retaguarda.
    Outras vezes como o leitor de almanaques que sabe quantos parafusos tem a torre Eiffel. Memorizou o número, sem cuidar que provavelmente a torre nunca teve em dia nenhum da sua existência, esse exacto número de parafusos.
    Outras ainda como a personagem sentada numa esplanada que faz perguntas sem sentido a quem passa perto.
    E muitas vezes me ocorre a sapiência desregulada de um velho vizinho que teimava em dar explicações ao monarca, encomendar sandes de produtos químicos, fumar nos parapeitos e nadar em medicina. Disse-me certa vez que estava em Ceuta em '415, à espera das tropas de D. João I.
    Às vezes estou como ele. Em dias sem Brylcreem.

    imagem em www.anzwers.org/free/tackorama/ clipart_ads_2.htm (link perdido)



    O feijão tem bicho

    Pois tem – dizia o Zé da dos Barros, confirmando.
    Queres ver que tá todo assim – picava-o a mulher.
    Tu nem me digas isso.
    Mas estava.
    Nessa tarde, depois de uns copos, já culpava o vizinho mais o tratamento que tinha dado às oliveiras.
    O Jaquim da Moca meteu-lhe mais ferro, que era do efeito de estufa.
    O cunhado que foi lá jantar, perguntou-lhe se ele tinha posto cabelos à roda da horta para afastar os ratos. Fez cara feia, pensou o que é que o cú tem a ver com as calças e não disse nada.
    Mais à noite, depois do café e do bagaço, foi o Toino Moura que lhe veio dizer que andavam a pôr umas cercas na Herdade das Bichezas para criar avestruzes.
    É dessa merda das avestruzes, podes ter a certeza! – concluiu o Zé, encostado ao balcão.
    Quando chegou a televisão, já ele culpava também a falta de “subsílios”.
    A culpa não morre solteira.
    E todos os dias o feijão tem bicho.



    Em preparação

    Um pare, escute e olhe



    trecho de imagem da SIC



    Ordem unida



    trecho de imagem da Sky News



    Mouro na costa



    foto de MSMS



    O chefe e o técnico

    Primeiro foi o chefe.
    Todos tinham que ser chefes. Operário-chefe, maquinista-chefe, chefe de vendas.
    Não havia restaurantes mais populares do que esses onde se ouvia um “Ò chefe!” a cada três minutos.
    Depois, já não bastava.
    Era preciso ser técnico. Técnico de vendas, técnico de compras, auxiliar técnico.
    Uma certa necessidade de promoção semântica, desvalorizada rapidamente pela inflação.
    Mas a moda há-de passar.
    Se assim não fosse, ainda haveria reposteiros, almotáceis, aguadeiros, uns mores outros não.



    Saudades da pré-história




    O Colégio do Bom Senso

    Às vezes penso que devia existir uma instituição assim.
    Acima da Lei, derradeiro recurso em todas as circunstâncias.
    Não existe ainda em certas sociedades o apelo à sabedoria dos velhos, para esclarecer questões mais complicadas?
    Não seria um tribunal, não seria um senado, não teria que se sujeitar a lei escrita ou consuetudinária.
    Apenas um colégio de homens-bons com o poder supremo de utilizar o bom senso e contrariar o Direito, se necessário.
    Uma utopia. Eu sei.
    Como escolher as pessoas certas?
    Mas que faz falta, faz.
    Alguém vê o bom senso por aí, seja lá isso o que fôr?



    Cumprindo




    Gasolim e as marcas obrigatórias




    A natureza e o tempo

    Tomemos como bom que o conceito de natureza é o conjunto da matéria original do planeta Terra e tudo a que ela deu origem, com o tempo.
    Tomemo-lo inevitavelmente num sentido um pouco mais lato, incluindo os factores exteriores mais conhecidos e indispensáveis: os raios solares, a atracção gravitacional da lua e a matéria cósmica que penetra no sistema terreno.
    Nada disto parece controverso.
    Já o tempo, que é um elemento integrante deste conceito, é impossível de definir.
    A Natureza é uma nomia inventada pelo homem para designar algo que compreendeu (no sentido matemático) - algo com o qual formou conjunto. Mesmo que os contornos desse conjunto não sejam muito precisos quanto aos factores externos e quanto à origem primordial dos seus elementos.
    Mas o conceito existe, é universal e aceite.
    Não sabemos então o que é o tempo.
    Temos a ideia de que actua sobre a matéria e que a transforma.
    Dizemos que as coisas envelhecem naturalmente com o tempo.
    Aceitamos assim que a natureza se transforma com o tempo, não deixando de ser natureza, como decorre do conceito.
    Às vezes confundimos algumas coisas: foi a Natureza ou o tempo que destruiu os dinossauros? É claro que foi a Natureza. O tempo é apenas um dos factores que a integram e que dá sentido ao conceito.
    De acordo com o que conhecemos e pensamos conhecer, se o tempo não fosse um factor integrante, toda a Natureza estaria no seu estado natural, primordial. Haveria um momento natural, nada mais.
    Aceitemos então definitivamente o conceito.
    Ao fazê-lo, não podemos deixar de incluir o homem como elemento integrante do conjunto natureza.
    E sendo-o, é, por agora, tão importante como os castores, as formigas, os abetos, o granito.
    O tempo transformou coisas com outros nomes em castores, em formigas, em abetos, em granito.
    Em homens.
    São então formigas e castores elementos naturais (elementos do conjunto natureza).
    E os homens.
    Sendo as formigas elementos deste conjunto, os formigueiros sê-lo-ão também?
    Sendo os castores elementos deste conjunto, as barragens sê-lo-ão também?
    Serão os expedientes de cada um dos elementos integrantes, elementos de outro conjunto que não o inicial?
    A função criação de será uma função em N (conjunto natureza)?
    Não poderá deixar de o ser.
    O conceito de natureza a isso obriga.
    Vamos então ao homem.
    É ele um elemento natural?
    Não encontro nenhum argumento que o contradiga, a não ser a visão antropocêntrica do mundo, que coloca o homem numa dimensão à parte.
    A verdade é que, mesmo para os dependentes desta maneira de ver, é necessário recorrer à classificação do homem como elemento natural (animal) para teorizar sobre certos fenómenos.
    Passarei pois adiante sem me deter neste aspecto.
    Outro argumento que me parece pouco polémico é que grande parte, diria quase a totalidade da massa de problemas com que nos debatemos, dos fenómenos visíveis, é consequência da intervenção humana sobre o planeta, porventura será esta constatação, ela própria decorrente do antropocentrismo.
    Assim, direi que para todos os que não têm uma ideia consistente do que é ou não natural, a maioria dos fenómenos visíveis é de origem não-natural ou humana.
    Ora, não havendo dúvida de que o homem pertence ao conjunto N, todas as suas criações não poderão também deixar de pertencer-lhe.
    É aqui que desaparecem conceitos como artificial, laboratorial, sintético(?!), nas asserções anti-naturais a que nos vimos habituando há algum tempo.



    Gasolim às armas





    A capa de quê?




    A discussão pendurada

    Ainda faltavam oito anos para a campanha do PS de 95, e ainda não se discutia, sem se ler, a obra do Prof. Damásio.
    Razão e emoção não andavam assim tanto nas bocas do mundo.
    Discutia-se arquitectura. Na medida em que ela é discutível ou não.
    E houve quem, no meio disso, dissesse que a Matemática, por ser uma ciência-ferramenta, de construção e complexidade humanas, e não ser uma ciência de exploração e desconstrução de complexidade universal, estava absolutamente dependente da razão, ao contrário das outras, da Física, da Química... mais sujeitas ao contributo da emoção.
    Houve quem se levantasse e tentasse argumentar contra.
    O professor entendeu que a discussão se desviava muito do tema. Ele próprio também tinha a sua opinião e o seu partido, mas que isso ficaria para depois da ordem do dia.
    E ficou. Até hoje.
    O que eu gostava de juntar as mesmas pessoas.



    Faltam-me 2



    H G U desconhecido em África e na Oceania.



    Imagens e música

    Primeiro foram os tele-discos, os clips ou o que quer que seja.
    Agora, estamos na fase dos DVD.
    Mas a ideia assombrosa é sempre a mesma: impingirem-nos umas imagens a acompanhar a música.
    Como se cada um de nós não tivesse as suas imagens associadas a cada melodia. Como se tivesse alguma utilidade.
    E não terá? Não será mais uma forma de uniformização?