Ano XIV
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  • Gasolim e as escolhas em inverno seco





    Vou escrever um livro

    Escrever não é bem.
    É a rogo.
    Encomendei a um discípulo de La Fontaine uma biografia minha.
    Não é para ser O Fabuloso Mundo de H Gasolim. Não.
    É outra coisa.
    É uma exo-auto-biografia feita por animais e plantas.
    Ele vai chamar os meus cães e ouvir as suas queixas.
    Vai entrevistar os pássaros na gaiola. É possível que não consiga nada do rabugento.
    Terá o depoimento de muitos chaparros e azinheiras.
    Vai notificar os porcos dos caseiros e entrevistá-los um a um.
    Contará também com o contributo inestimável de ovelhas e vacas.
    Já não poderá infelizmente auscultar a opinião das galinhas há muito desinstaladas nos ramos da velha oliveira.
    Mas ainda assim, já encomendei as faixas amarelas. Também elas falam.
    Que tal?



    Na foto, é mesmo o meu querido cão. A capa está uma trampa, tirando o cão. Vejam bem o título às escadinhas. Encomendei-a a um tipo que tem uma filha com jeito pó desenho



    Gasolim e os apeadeiros



    longe do vulcão



    Pó branco e pastéis de bacalhau



    Já dei voltas à cabeça, já li cinquenta manuais, treze compêndios e nada.
    Não consigo encontrar explicação para o bacilo escolher o pó branco como veículo.
    Qual bacilo?
    O do carbúnculo – o Bacillus anthracis.
    Sabemos todos que os bacilos são formas de vida. E que devem ter lá as suas idiossincrasias. Mas escolher o pó branco? Caramba, não é nada politicamente correcto.
    Nada com pós azuis, verdes ou vermelhos, só brancos.
    Agora parece andar retirado. Não se fala nele. Já o açucar pilé relaxou, as farinhas de sílica e de trigo estão mais descansadas, o próprio pó-de-talco parece mais novo, menos preocupado.
    Eu, como sou desconfiado, tenho andado a pensar se ele não terá escolhido os pastéis de bacalhau como transporte.
    Já nessa época de Setembro / Outubro de 2001, tinha advertido os meus mais chegados para essa hipótese.
    Agora que a coisa anda esquecida, volto a alertar.
    É que o pó branco tem um universo potencial mais limitado. Os pastelinhos são uma forma muito mais eficaz de distribuição.
    Dizem-me que ninguém aspira pastéis de bacalhau. Não aspira um, certo. Mas aspira por um. Muita gente aspira por eles sem os confundir com notas enroladas. Lá estou eu com trocadilhos.
    Não se iludam, o bicho é manhoso. Se não fôr pelos pastéis, como eu prevejo, há-de ser pelos tremoços, que é uma boa forma de dizimar as tropas. Assim como assim, mata os homens e deixa as mulheres.

    imagem em



    O diabo aquático



    Não sou contra os neologismos nem tenho um conhecimento profundo sobre as formas que apresenta o rabudo, o coisa ruim, o ...
    Mas, deixando de lado a caneca que existia no trem de praia dos meus bisavós em que ele figurava, na certa como recordação de algum mascate menos timorato, e em que aí sim, convivia com a água que eu lá lhe colocava, não me recordo de nenhuma outra ocasião em que o ... se tenha familiarizado com a água.
    Sempre o figurei como um gato escaldado.
    Mas há uns tempos, um noticiário de rádio revelou-me esta estranha metamorfose. O ... tinha aprendido a nadar. Depois de narrar alguns factos estranhos em certa cidade, o locutor concluiu: "... e o Diabo aquático!"
    Pronto, pensei, tornou-se rei dos mares. Adeus, Neptuno. Ou será que não? Afinal, esse deus tão traiçoeiro para marinheiros e viajantes não ostentava ele um tenebroso tridente? Seria já o próprio ou um enviado seu?
    O certo é que o ... já não andava a quatro.
    O mais estranho é que, numa altura em que todos querem andar a quatro (tracção às quatro, motos-quatro), o ... se tenha decidido pela barbatana dorsal. Não me conformo.
    Será que ele comprou uma moto de água?

    imagem adaptada de



    Nostalgia do burro



    Sem grande explicação, o burro veio à baila.
    Falou-se demoradamente dos asininos.
    Que eram dóceis e teimosos como burros(?)
    De vez em quando um coice mas nada de cuidado.
    Pica-lhes a mosca.
    Lá recordámos as imagens dos bichos, que os havia lá no monte.
    A minha mãe condoeu-se de os animais estarem em vias de extinção.
    Às vezes ponho-me a pensar que pertenço à primeira geração apeada. Uma espécie de anspeçada.
    Sempre houve cavalos, mus e burros, arramadas e cavalariças. Os meus avós a cavalo, o meu pai a cavalo. Eu a pé.
    Ora, ultrapassadas que estão as necessárias três gerações para fazer um cavalheiro, onde é que ficamos? Num cavaleiro sem cavalo? Num Artur centaureando ao som de hemi-cocos?
    Nem um burro fiel, para me fazer companhia? Só maples com quatro rodas?
    Não sou de opinião.

    imagem de
    saiba mais nesta página de António Gil



    O espião dos serviços ou
    Uma noite em Lisboa


    O convite de um velho e bom amigo, levou-me a um dos centros nervosos da economia nacional.
    Anarcka sabe qual é. É um cujo nome não divulgo mas sobre o qual ele há tempos discorreu.
    No gabinete do homem, armários, ficheiros, estantes, gavetas.
    Conversa vaga sobre o desempenho da casa.
    Como já estava há um bom bocado sem fumar uma cigarrada, levantei-me e deambulei entre as estantes.
    Foi então que descobri o pequeno volume: "Cheques descontados na Ilha das Flores".
    Fiquei preso à lombada, imaginando todo o romance que encerra tal título.
    Todos os apertos porque passaram os que os assinaram, todas as alegrias dos que os descontaram. Os atrasos, as faltas de fundos, a revolução nas vidas dos bons açoreanos das Flores.
    Já estava a imaginar gente a comprar carros novos, sacos de cimento para um reboco, a pagar o casamento da filha, o IRC, a viagem para a América, quando ele se levantou e nos disse que eram horas de jantar.
    Às vezes sonha-se entre dossiers e armários.
    Melhor do que saber novas do out-sourcing e das tomadas firmes.
    Ninguém se apercebeu do meu interesse por aquele dossier em particular.
    Ainda trago no bolso uma base para copo do Fontória.



    Gasolim e as pontes ou
    Comendo peixe-muge não sabendo onde




    Fui mostrar ao deserto a Syllan e à sua progenitora.
    O deserto de que falo fica um pouco a sul de São João do dito.
    É aquela faixa entre as E.E.N.N. 123 e 124, 2 e 122. Mais ou menos isso.
    Um lugar de encantos desoladores.
    A horas de almoço, estávamos em Mértola, prontos para o peixe frito do rio.
    Na esplanada, além dos matraquilhos, havia apenas mais um casal.
    O dono do restaurante e o dito casal falavam alto, ouvia-se bem o que diziam.
    Depois de ele apontar os pedidos, perguntaram-lhe:
    "O que é isto aqui atrás?" - isto era o vale cavado mesmo junto à esplanada.
    "É o Guadiana, minha senhora." - disse o homem, incrédulo.
    Syllan, que é bom navegador, também não acreditou no que ouviu.

    foto da JAE



    Gasolim e as pontes





    A máquina inútil

    Passei a minha infância entre obras.
    Grandes e pequenas.
    Das maiores que se fizeram às mais elementares.
    Convivi com tractores, pás-escavadoras, dumpers, cilindros, camiões-basculantes, auto-niveladoras, gruas, etc.
    Havia porém uma dessas máquinas que me intrigava. Nunca a via em acção. Pelo seu formato, não a imaginava capaz de grandes façanhas. Contudo, lá estava sempre. Muitas das vezes, mais do que uma.
    Nunca me dei por achado, era o que faltava perguntar ao meu pai ou a quem quer que fosse, para que é que aquilo servia. Só observava, à espera de um deslize, de um movimento, de uma acção. Nada. Só barulho, e muito.
    Um dia, apanhei-a. Numa manhã algarvia de laranjas.
    Estava parada como sempre e a fazer um cagaçal medonho.
    Mas desta vez, consegui ver que nas pontas das mangueiras que dela saíam, havia acção.
    Uns operários lançavam jactos de areia sobre uma estrurura metálica.
    Foi então que, todo orgulhoso, expliquei ao meu pai como é que aquilo funcionava.
    Mas a minha teoria caiu por terra no segundo seguinte. Ainda hoje me lembro da explicação devolvida quando vejo um compressor.



    imagem tirada daqui



    Gasolim e os obstáculos



    em vidro muito sujo



    Na parede da cela



    imagem de uma das magníficas câmaras de tráfego da Finlândia



    O fabuloso mundo das máquinas de costura



    Lembro-me do cuidado que era preciso entre Olhão e Tavira, a certas horas, com aquela chusma de bicicletas a motor que apareciam na estrada.
    Macais, Casais, Faméis-Zundapp, Sis-Sachs.
    Ali para a zona de Águeda, era também forte a coisa. Havia assim uns pontos em que a motorização velocipédica obrigava a cuidados redobrados na condução.
    Nunca houve, que eu me lembre, tanta discriminação social à volta de um objecto como destas máquinas.
    Quando apareceram as japonesas, qualquer das marcas acima citadas era coisa ainda mais acintosamente popular.
    Quem queria ter pose, tinha que ter uma Honda ou uma Yamaha. Suzuki e Kawasaki não apareceram logo em versão 50 c.c., ou eram bicho muito raro.
    É claro que detrás já vinha o culto da moto. Mas isso eram as altas cilindradas, as Norton, as Triumph, as BMW, as MZ, as Husqvarna, as Harley e muitas outras.
    Eu próprio me imaginava na sela de uma Honda 50 (eu era mais pela asa e menos pelos diapasões), mas isso foi sol de pouca dura.
    As japonesas eram motos, mesmo que tivessem a mesma cilindrada das outras, e jogavam com capacete Bell ou similar, mais tarde com integral e nunca com penico e fitinha xadrez.
    As outras eram bicicletas a motor, chocolateiras, máquinas de costura.
    Ora aí é que bate o ponto. Vinte e muitos anos depois, calhou-me competir, a pé, não com uma bicicleta a motor, mas com várias máquinas de costura e de bordar.
    Uma delas era Toyota, outra Husqvarna. Alguém, mais uma vez, me explica isto?



    Honda CB 50 em
    bordado em




    Hygiaphone



    Fale aqui diante do Hygiaphone.
    Era o que nos diziam bastas vezes, sem dizer.
    A setinha lá estava, a apontar para os buraquinhos.
    Ainda os deve haver, tal era a profusão.
    Da secretaria da faculdade às bilheteiras dos comboios,
    das repartições de finanças às bilheteiras de cinema, era o mundo Hygiaphone.
    Por estes dias, tive um choque.
    Já nem nas Finanças existem. Agora é um balcão aberto, um banco, uma recebedoria.
    Independentemente da estranheza que se relaciona com o facto de certas doenças, pois julgo que era disso que se tratava, ainda existirem e se propagarem aereamente, há outra coisa que ainda me intriga mais:
    Se o balcão é corrido, como é que fazem agora aqueles funcionários que invariavelmente nos mandavam para o guichet ao lado?

    P.S.: O Hygiaphone até foi cantado em poema.

    imagem adaptada de



    Es-tú-pido



    Se o tempo é de balanço, é tempo de fechar as contas.
    Deixei algumas pontas aqui e ali, com promessa de réplica.
    Começo por esta. Vem do dia 9 de Novembro.
    Suponho que a coisa ficou mais ou menos clara para os homens.
    Para as mulheres, já não sei.
    É o eterno retorno à incompreensão dos géneros. Eu confesso que há muito deixei de querer ver razão no raciocínio feminino. Não encerra esta afirmação nenhum sentido pejorativo, apenas significa que:
    O racionalismo é útil, muito útil, mas não é decisivo, tanto mais que não joga com o baralho todo.
    É possível que exista um racionalismo feminino, estribado em cartas fora do baralho. E para o caso, tanto faz. Se aos homens faltam cartas, as decisões são por isso insuficientemente racionais. Se as mulheres usam jokers, a diferença está na incapacidade masculina de compreender a omnipotência dessas cartas.
    Dito isto, julgo que não há palavra que mais aproxime um homem de uma mulher, do que a supra escrita.
    É óbvio que tem que ser dita sincopadamente. E com um sorrriso. Mas quando sai assim dos lábios de uma mulher, já não há nada a fazer, é tiro-e-queda.
    Dir-me-ão alguns: mas se elas ainda não sabiam disso, para quê dar-lhes trunfos?
    Respondo eu: não me oponho a que os meus congéneres sejam apanhados na malha grossa, não me parece que seja algo a evitar, muito antes pelo contrário.
    O que já é de evitar, isso sim, é o pérfido "Ah, sim?" prenunciador de todas as divergências.
    Meus caros, aqui, pode um homem dizer a mais sábia das sentenças, discorrer sobre as mais ignotas sabedorias, pronunciar o mais brejeiro comentário ou concluir da mais desastrada maneira. Não há também nada a fazer.
    É a linha para além da red line. É o ponto para além do borregar. Peguem na trouxa e ala.



    Acho pouco

    Conto do vigário II

    Sinceramente!
    Ou eu tenho e-mail de labrego (já que não pode ser a cara!) ou então existe uma conspiração internacional para me derrubar.
    Há uns dias, estavam à minha espera para me dar 5,45 milhões de dólares. Hoje, agraciam-me com meio milhão. Acho pouco.
    Pensei escrever este post em inglês. Mas não, eles já cá vieram espreitar quando coloquei aqui a cópia do outro e virão com toda a certeza outra vez. Brindo-os assim com uma daquelas maravilhosas traduções automáticas, que sempre é mais condicente (o que eu me lembro às vezes do C.O.) com a prática dos moços.

    "FROM RISE LOTTERY INTERNATIONAL
    TELEPHONE;+31-64 111 58 62
    Ref. Number: 132/756/4509
    Batch Number: 538901527-Bc68
    ATTN.

    LOTTERY WINNING NOTIFICATION (CONGRATULATION)
    We are pleased to inform you of the result of the Lottery Winners International programs held on the 23th of Nov, 2003. Your e-mail address Attached to ticket number 27522465896-6453 with Serial number 3772-554 Drew lucky numbers 7-14-18-23-31-45 which consequently won in the 2ND category, you have therefore been approved for a lump sum pay out of US$ 500,000.00. (Five Hundred Thausand United States Dollars Only).
    CONGRATULATIONS!!!
    Due to mix up of some numbers and names, we ask that you keep your winning information confidential until your claims has been processed and your money Remitted to you. This is part of our security protocol to avoid double claiming and unwarranted abuse of this program by some participants.All participants were selected through a computer ballot system drawn from over 20,000 company and 30,000,000 individual email addresses and names from all over the world.
    This promotional program takes place every three year.
    This lottery was promoted and sponsored by eminent personalities like
    Mr Bill Gates and the Sultan of Brunei, we hope with part of your winning you will take part in our next year international lottery. To file for your claim, please contact our Lottery Coordinator .
    MR ROBERT MBOMA AND ASSOCIATES NETHERLAND.
    TEL. 0031-64 111 58 62
    Reply Email: roboma30@fsmail.net
    Remember, all winning must be claimed not later than 30th of Dec. 2003.After this date all unclaimed funds will be included in the next stake.Please note in order to avoid unnecessary delays and complications,remember to quote your reference number and batch numbers in all correspondence.
    Furthermore,should there be any change of address do inform our agent as soon as possible.
    Congratulations once more from our members of staff and thank you for beingpart of our promotional program.
    Note: Anybody under the age of 18 is automatically disqualified.
    You can contact me on this my private Tele phone Number 0031 -64 111 58 62 for more briefing.
    Sincerely yours,
    MR. ROBERT MBOMA
    Lottery Coordinator"


    E mais uma vez, estou como o outro:
    Se se anuncia remédio para os piolhos, é porque há quem os tenha.




    Ainda em balanço



    Tudo começou em 16 de Agosto.
    O calor tinha amainado e eu tinha descoberto que não era preciso pagar para escrever aqui umas coisas.
    O nacional-borlismo.
    Bem, quase quatro meses depois, o universo de visitantes não é amplo. É até muito restrito. Meia-dúzia de fidelidades que passo a citar, pela respectiva página e por ordem alfabética:

    Anarcka
    Brasil e reminiscências españolas (Brasil & Espanha)
    Mente Brilhante
    Pensatorium
    Tem alguém aí?

    Sei que há mais, mas infelizmente nunca deixaram qualquer comentário.
    Então como explicar quase 2000 visitantes na versão brasileira e mais de 1300 na portuguesa?
    Em primeiro lugar, a contagem divergiu quando decidi que afinal mantinha os dois blogues mais ou menos iguais. Nessa altura, aí por volta dos 1140 visitantes, passei a ter dois contadores, um para cada blogue.
    Explicam-se facilmente as 160 visitas adicionais em Blogspot com os fiéis leitores e os numerosos pára-quedistas a que já aludi.
    Quanto aos números do Blogger da Globo, eles reflectem ainda um sem-número de curiosos que espreitam quando o blogue está na lista dos últimos actualizados. Tantos são, que explicam este desfasamento de quase 700 visitas.
    Ora, o resultado é mau. Se há num contador perto de 2000 visitas e ao mesmo tempo se contam pelos dedos de uma mão os fiéis leitores, é porque a coisa não agrada à imensa maioria.
    Mesmo assim, não desisto. Enquanto houver gente que aqui vem, ficarei no meu posto. Não faço isto para agradar a todos. Faço-o porque gosto e para quem gosta de me ler.
    Só lhes peço em troca, a esses que leio, que continuem também.
    Assim haja serviço à borla.

    Há aqui uma parte que promete para um Manifesto Político a que aludirei para o ano. Não se assustem, não vou formar nenhum partido.



    Retrato de um blogue

    Em época de balanços, aqui fica um retrato feito pelos motores de busca a estas linhas aqui deixadas desde Agosto.
    Na impossibilidade de convidar comentadores no campo da sociologia ou da psicologia, fica a crueza dos números, que reflectem decerto o que vai na cabeça do relator:





    Uma certa pose