Ano XIV
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  • Atraso e diferença



    Certas mentalidades acham incorrecto o emprego de certas palavras e inventam (recuperam) outras. E ao fim de uns tempos, quando a evolução semântica já fez das suas, mudam outra vez o verbo.
    O mais ridículo é quando substituem conceitos, sem cuidar de os perceber.
    É frequente a confusão entre diferença e atraso.
    Diferença é quando duas pessoas chegam vestidas de cores diferentes.
    Atraso é quando uma delas chega dez minutos depois.
    Diferença é falarmos línguas diferentes.
    Atraso é termos atingido patamares que outros já deixaram há anos.
    É tão simples.



    Nem de propósito

    Uma aplicação comezinha da memória.
    Há uns bons anos avisavam-nos por carta.
    Depois, passaram a usar o fax.
    Agora o aviso vem pelo correio electrónico.
    O aviso é que é sempre o mesmo:
    "Na próxima esquina há alguém disposto a dar-te 5,45 milhões de dólares (cotação de há minutos atrás)!"
    Certa vez, ainda no tempo das cartas, ouvi alguém dizer que conhecia alguém que tinha embarcado no logro.
    Quantos terão?
    Como diz um amigo meu, quando se anuncia o produto X contra os piolhos, é porque os há.

    "Attn:

    Soliciting For Business Venture and Partnership.

    My name is MR FRANK COLE Chairman of contract award and monitoring committee of Ministry of Urban and rural development ,my duty as empowered by the Mauritius Government is to provide the basic amenities,social recreational activities in urban and rural areas,This programm includes assistance to deprived Local communities and to co-ordinate projects and development at the national level, Furthermore, from this projects we have been able to secure some reasonable amount of U.S.$21.8m(Twenty one Million Eight Hundred Thousand U.S.Dollars Only)as commision from various Contractors resulting from over invoicing ,hence all the necessary approvals has been completed.

    These approved fund is now packaged and despatched through a security company for onward delivery to its final destination. These fund are first deposited into a vault security before we arrange for its movement to Europe through diplomatic channel using decoy purporting that the fund belongs to an expatriate/company , as we are Government officiale ,we are not allowed to operate/own foreign bank account,Hence we need you to stand as the beneficiary and claim the fund on our behalf from the security company.

    Presently I am now in Europe to search for a reliable person/company of high intergrity /dignity and one with conscience who will claim this fund on our behalf as the beneficiary,and we have agreed to give you 25% of the total sum as commission for your assistance/effort. And 5% will be used to settle every expenses incurred. We will use 70% to invest under your recommendations and guide and to go into Joint venture business with you.

    I would greatly appreciate your assistance . As I look forward to your response as soon as possible.

    Best regards, FRANK COLE
    0031622811643"


    O e-mail de origem é frankcole_074@fsmail.net

    Se quiserem responder, be my guests



    Mais considerações sobre a memória



    Há quem defenda que a memória de nada serve.
    Quando nos propomos aperfeiçoar um mecanismo basta que o entendamos, não é necessário ter a história da sua evolução toda presente.
    É certo que é assim que as coisas têm evoluído. Os exemplos estão em todo o lado.

    O que me verdadeiramente me desafia é esta impossibilidade de conservar o conhecimento, como se todos os dias ardesse uma biblioteca em Alexandria.
    É terem existido homens que souberam coisas que hoje se não sabem.
    É terem existido focos de luz em determinadas direcções que já se extinguiram.
    A memória há-de servir para alguma coisa.



    Ponte sobre águas turbulentas




    Matar saudades do cantor estrangeiro

    Entrámos uns quantos naquele bar.
    Era um dos poucos sítios onde nos deixavam fazer as nossas próprias bebidas.
    Umas coisas a arder que havíamos importado de umas noitadas em Espanha. Nesse tempo, ainda não se viam muito por aqui.
    O R.C. era o mais expedito na confecção, seguia direitinho a cumprimentar o dono que invariavelmente lhe perguntava apenas: "Quantos são?"
    Nessa noite não foi. Desviou-se para a direita e encostou-se a uma trave de madeira, embevecido.
    Quando eu já me preparava para o substituir ao balcão, chegou-se e disse:
    "Já tinha saudades de ouvir cantar em estrangeiro!"
    Eu que sou uma nulidade de ouvido, não tinha dado por nada.
    Esperei pela próxima e lá me fui colocar atrás do cantor. Satisfeito com o nosso interesse, e displicentemente sentado num banco alto, continuava a cantar "bichu tu é same flau inó é..."

    Acabaria a noite bebendo connosco e ouvindo passarinhos, mas isso contarei depois.



    Adenda à posta anterior

    Mas já me vejo em Pequim, Bagodá ou Bagdade, Riade ou Edimburgo (não tenho nada contra nenhuma destas cidades). E em muitas outras onde nunca fui.



    A raínha e o plebeu

    O uso da língua tem destas coisas: A raínha Isabel II e o presidente George.
    Havia um tempo em que os livros estavam cheios de Joões Smith, hoje já não é assim.
    E ainda outro em que Lancaster deu Lencastre.
    Falta-me a sabedoria para deslindar estas regras.
    Vejo-me em Francoforte, Saragoça, Zurique, Antuérpia, Roterdão, Estocolmo, Nova Iorque.
    Não me vejo em Beijing (há quem julgue que é ao pé de Pequim), Baghdad, Riyhad ou Edinburgh.
    Dir-se-ia que tal como a cachemira, o pano de escócia, os cristais da boémia, o champanhe e o conhaque, o que é velho e bom está traduzido. Os plebeus nem por isso.
    E rematando com algo completamente diferente: que é das bolas de cá-de-chú ou até de cá-de-chumbo, do dióxene ou vióxene e outras maravilhas?
    Nem o cigano Melquíades sabe dar a resposta.



    Flashando

    Com estas festas de inauguração todas, descobri agora a verdadeira razão dos flashes nas bancadas nos jogos à noite.
    É que andava intrigado, para que é que serve um flash para tirar uma fotografia de um campo de futebol a partir de uma bancada?
    Mas não, não é por isso, como diria o velho C.
    É pela razão inversa da qual se utilizam ou não as luzes de um automóvel.
    Toda a gente sabe que as criaturas que vêem bem à noite, se dispensam de usar as luzes do automóvel. Para quê?
    Ora aqui, trata-se exactamente do contrário, os flashes são apenas para serem vistos. Nada mais do que isso. É que é tão bonito ver as luzinhas a piscar.



    Gasolim por ouriços e castanhas





    Gasolim em preparos






    Estranha mente

    Estranho-me ao viciar
    Arquitecturas velhas sob um olhar
    Metódico e contudo vazio,
    No meio de ruas de lama e cadelas com cio.
    Estranho-me ao arranjar
    Pretextos válidos para não sonhar,
    Deixando águas e palavras correntes
    Por dizer, entre dentes!
    Estranho-me ao titular
    Arquétipos de que não sei falar
    Em mesas de amigos e vinhos,
    Pássaros fritos e joaquinzinhos.

    1986

    SG, "Dizeres do Sul", 1993



    Na sombra da corrente





    O crepúsculo do Sr. Quitério

    Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
    Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
    Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
    E porquê?
    Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
    Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
    Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
    A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
    Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.



    O final do milénio

    Agora já se pode falar do assunto.
    A onda de disparates já lá vai.
    Afinal quando é que começou o terceiro milénio?
    Foi às zero horas do dia 1 de Janeiro de 2000 ou um ano depois?
    Atordoado pelas asneiras incontáveis que se produziram à época, vou agora, de cátedra, pronunciar-me a posteriori.
    Foi na noite de 31 de Dezembro de 1999 para 1 de Janeiro de 2000. E porquê?
    Passo a explicar:
    Embora ciente de que é óbvia e incontestável a afirmação de que o final do ano 2000 é o final do século e do milénio (perdi-me de riso com as demonstrações matemáticas a favor e em contrário, as voltas que deram ao zero, coitado!), lamento informar de que qualquer contagem só é válida se fôr efectuada sobre elementos precisos.
    Ora aqui é que está o busílis.
    Estamos a contar a partir de quê? De que dia? De que ano?
    Ninguém sabe. Há uns palpites.
    Decidiu a Igreja, no papado de Gregório XIII, século XVI desta era, dar a forma actual à contagem do tempo. O calendário foi tornado mais preciso, embora com a mesma base dos precedentes calendários romanos.
    Mas subsistem os erros. Se o nascimento de Cristo é a data a partir da qual contamos, que sentido faz comemorar essa data uma semana antes? De qualquer forma é uma convenção baseada em nada.
    Ora se a contagem é feita sobre uma data que se desconhece, que validade tem? Nenhuma. Ou melhor, tem apenas a validade consuetudinária que lhe advém dos quatro séculos e tal de uso.
    Ora se é o uso, independentemente da razão, que lhe confere a validade, tenho a dizer o seguinte:
    É irrefutável que a passagem de ano de 1999 para 2000 foi muito mais celebrada do que a seguinte.
    É inegável que o burburinho que se gerou a propósito das datas nos computadores (o chamado bug do milénio) foi só por si um acontecimento milenar.
    Não há qualquer razão histórica para marcar o milénio, a não ser a que já enunciei, uma vez que há 1000 anos atrás, a mesma porção da humanidade (se é que isto se pode dizer) que agora assinala o ano 2000 (ou 2001) se encontrava dividida entre contagens díspares e nunca no ano 1000. Para além disso, o comum dos mortais de então não se prendia a esses números, assinalavam anos de pestes, de inundações, de fogos, de neves, de reinados, de conquistas...
    É aqui que me lembro do velho hindu que se despediu de mim (não mais o verei, é quase certo) na noite de 29 de Dezembro de 2000, à porta de um hotel da Praia da Rocha: “Vocês andam tão contentes com esta data, mas para mim é um dia como os outros, a gente faz outras contas.”
    Pois é. Fazem. Eles e muitos outros.
    Mas também é verdade que a nossa técnica (cristã e ocidental) os submeteu de tal forma nestes últimos anos que se vêem agarrados à nossa contagem mesmo que não lhes diga nada.
    E já agora, há quantos anos cá andamos?



    imagem em



    Gasolim sem pargos mas com pontes

    Sempre com pontes





    Teme-se o pior

    As aventuras do espião galego continuam.



    A última ameaça aqui denunciada foi sobre qualquer coisa que iria fazer às jantes do meu carro, lá para um porto. O Porto, we all know and love, ou outro porto qualquer.
    Pois, logo no dia seguinte, 31 do mês passado, alude via sapo a desdobramento totobola.
    Começa assim uma série de ameaças que incide sempre sobre o totobola e não sobre o totoloto. Como relembrando a velha frase ameaçadora “Esta semana não há trezes! (agora catorzes ou quatorzes)” tanta vez proferida pelo H.J. nos dias que antecederam a sua fuga com a mulher do B.E. (não, não é o Bloco de Esquerda).
    Enfatizando toda a sua panóplia de recursos, e já no Brasil, dá-lhe a veia poética e agita feitiços quando torna dia das bruxas poemas, ainda a 31.
    Pouco depois, mostra "fotos de rodovias" onde supostamente me abordará se eu me conseguir chegar a terras de Vera Cruz.
    A 1 de Novembro, já de regresso, propõe-se aliviar-me a subsequente dor de dentes com dendoral.
    A 2, bate o recorde de ameaças, faz seis de uma assentada.
    A primeira desse dia, é enigmática: pede uma tradução de Fulgêncio Baptista para inglês (obtém um H Overseas Gasolim, eh eh eh...). Mas eu sei ao que ele se refere, embora com um avanço de 8 dias...
    Logo depois, mais desdobramentos totobola.
    E em seguida, usando o Yahoo, "Linha do sado", como sabeis é a retoma do velho tema sadino, que me inspira os maiores cuidados em terras setubalenses. Pior do que isso, fá-lo duas vezes seguidas "Linha do sado".
    E é então que faz a mais enigmática ameaça até agora: las meninas "a triangle" -similar –triangles, tal e qual. E pede tradução.
    Ou seja, com herméticas explicações geométricas sobre o quadro do nosso Velasques, apresenta o rigor com que giza os seus planos. Será isso?
    Por último, ainda no dia 2, já em Espanha fotos damaia de abaixo(portugal). Isto significa muito, ainda que o não pareça. O homem tenta apanhar na certa algumas fotos da costumeira tasca do Manel. Pode muito bem ser o que necessita para preparar uma armadilha por lá. O sítio é propício, aquela cave sem escapatória...
    E no dia 3, talvez pensando em todas as hipóteses de me apanhar desprevenido academica da ucdb pelada. Segue o caminho da tentação. A académica não é por certo a da UC Deambulando Bêbeda.
    Depois vira-se para outro tipo de tentações acelgas. Faz tudo para me aliciar. O gato e o rato.
    No dia seguinte, 4 de Novembro, novo recorde, sete ataques, o primeiro: rustico algarvio. Um sinal de que me conhece os costados.
    Sem perder o fôlego, e na mesma linha historia da alfarroba. Interessa-se e deve ter lido o post lá de trás.
    Já não percebo é porque é que mete a Santa Casa nisto... scml blogue
    E logo repete a afronta, pondo a rusticidade em destaque: ze povinho.
    E volta à Santa Casa, djogos
    Sabe o que fumo, sg cigarros
    E tornando a Castela, sabe que percorro as autovias, mapa de carreteras de España
    E logo, logo taberna dos tempos fotos, lá está. É certo que é a tasca do Manel.
    Depois, já a 5, do Brasil, Montijo- portugal. É a tal referência já feita há muito, à Aldeia Galega. Em busca de cumplicidades.
    E já agora, no dia 6, volta à carga, salsaparrilha, o eterno disfarce.
    E depois, vincando bem a sua qualidade de carraça, menciona e afronta os Carraceiros
    Para despistar, finge-se depois analfabeto, carraçeiros. Mas a coisa passa na malha grossa e vem cá parar.
    E retoma uma velha querela no dia 7, hillman imp fotos
    Aqui não comento suicidio viaduto avenida ceuta
    Mas a seguir, no dia 8, dá uma outra ideia de como me pode fazer tombar o céu em cima da cabeça estruturas metalicas. como construir, calcular
    Volta-lhe a veia poética e o disfarce de iletrado poemas sobro o tabaco
    Mais desdobramento totobola
    Mais "fotos de rodovias"
    Começa assim a repetir-se.
    A 9, de Espanha, safara ponte. Esta é francamente na mouche. Não posso explicar agora porquê.
    E carrega sobre a aviação nacional, insinuando que a resposta está nos arquivos-fantasma da TAP: spectrum arquivos .tap (eu sei que é outra coisa, aliás sei muito mais do que o que parece, mas também posso fazer o meu bluffzinho).
    fotos apaelho telefone é claramente um argumento de espião, não acham? Eu de resto a esta respondi de pronto.
    E no dia 10, mostra as malhas da espionagem, que é feita assim: amadora escondidas nuas
    E já faltava de novo o tema sadino fontainhas memórias
    Avisa-me de outro perigo casa de banho, quem sabe a eterna ameaça do punhal no chuveiro... Note-se que é feita do Brasil, e não fala em banheiro.
    No dia 11, onde será que se quer instalar? fotografias de casas para comprar
    Será na Grécia? Pois manda esta vassalos lights lá do Peloponeso ou de Creta. Apurei junto do meu amigo candiano que Vassalos é um apelido vulgar por aquelas bandas. Mas não há cigarros com esse nome, ao que me disse.
    E muito claramente avisa-me de que tudo me pode acontecer lá para o norte da minha terra acidentes rodoviários (alto Alentejo). Não é por acaso que me saio depois com o projecto de Lei no dia 15.
    Talvez disfarçando árvores para me confundir, continua com pintura de troncos de árvores urbanas
    E lança-me aos pitões mas do Brasil!
    Em trilhos de messejana
    Já a 12, manda-me dar totobola palpites
    Retoma as fotografias setúbal fontainhas
    E o ze povinho, ze povinho por 2 vezes.
    E a 13, um palpitante porta cartao couro brindes, decerto escondendo alguma senha.
    Dá uma vaga ideia do carro que utiliza: old ford transit
    Depois, nova ameaça catastrófica prevenção sísmica
    No dia 14, a coisa toma proporções bíblicas, creio eu, alma não-religiosa: Tibia 7.11
    Para a seguir, não sei se em terra de leite e dito ilhadomel
    No dia 15, ainda sadino, dá uma ideia de outro disfarce que poderá usar: trajes regionais de alcacer sal
    Cabalística a seguinte, Peugeot algarismos, feita no dia 16. Nem ele sonha (ou sonhará?) que eu tenciono colocar aqui umas fotos dos 403, 404 e 504. Cá por coisas.
    Precisa depois uma localização mapas de albufeira com escalas. Caramba, e não é que há aquela aventura com a 403 a caminho de Albufeira?
    E pimba, volta à salsaparrilha
    E reparem como não se afasta do rio Sado, ciclismo grandola fotos. Isto já no dia 17.
    E continua, mais salsaparrilha
    Eu não digo? Ele quer é casas para alugar em montijo
    E logo mais um enigma: ilhas urbanas de calor em vila velha
    E remata com mais totobola, digo eu: correio da manha scml.
    Provavelmente, terei que ler o Correio da Manhã e as notícias ou os anúncios ao pé do habitual resumo dos sorteios da Santa Casa.
    E agora a 18, começa com o tema galego de novo (Montijo – Aldeia Galega): antena jovem montijo
    Pouco depois, não há 13 ou 14 acertos outra vez, pois vem de novo desdobramento chaves totobola
    E logo, do Brasil, NOTICIAS DE PULITICA, sempre irónico!
    Vem a seguir à procura de fotos de casas velhas, na certa para usar como esconderijo.
    Termina por ora com um convite à bebida, talvez viciada por ele, cerveja clok, e reparem bem que se encontra na Polónia!
    Estou preparado para tudo.



    O Cagote

    O Cagote era uma espécie de cangaceiro dos matos sulistas.
    Não na tradição guerrilheira do Remexido mas mais na de assaltante, um século depois.
    O Cagote matou e roubou a torto e a direito por essas serras entre Algarve e Alentejo, acolitado por uns quantos.
    Certo dia, depois de um assalto falhado, vinha ferido e em fuga quando chegou perto de umas muralhas.
    Dirigiu-se ao monte e pediu, mais do que exigiu, que lhe dessem guarida.
    Entrou num celeiro e foi imediatamente trancado pelo lavrador, que se opôs à justiça popular.
    Quando as autoridades chegaram, o cangaceiro não ofereceu resistência. Era o fim.
    Foi depois exposto na cadeia concelhia, onde as pessoas iam em romaria para ver o intrépido facínora, como se fosse um bicho.
    Lembro-me bem de ver o celeiro em pé e de lá entrar dentro. Hoje já só há vestígios das fundações.
    Talvez um dia lá coloque uma placa de pedra, para que estas coisas não esqueçam.



    trecho de foto do SNIG



    Deep Blue

    Ignorância
    Previsões meteorológicas
    Xadrez contra a máquina

    Lá para trás, houve um post que abordava a questão de cada gesto.
    Cada gesto ser apenas a consequência das condições iniciais e do correr do tempo.
    Sejam lá o que forem (foram) as condições iniciais e o tempo.
    Se não há nada que contrarie esta hipótese, até à data, também não há forma de a provar.
    A ignorância é total quando se tratam escalas desta ordem.



    Há, no entanto, campos em que o homem teima em tentar encontrar uma chave que lhe permita prever a certo prazo o comportamento de um determinado universo.
    É o caso das previsões meteorológicas, pelas quais me interesso, não deixando de ser um leigo com alguma curiosidade.
    Se é certo que os avanços neste campo têm sido significativos, estamos muito longe de conhecer os mecanismos que regem a evolução das condições atmosféricas e as ditas condições iniciais relevantes. Sendo que aqui, a palavra iniciais representa as condições em t0, um momento determinado.
    Não se conhecendo estas, não se conhecendo o mecanismo de evolução, resta testar modelos aproximados que coincidam num determinado intervalo com os dados reais, sendo certo que estes são por sua vez uma parte das variáveis.
    O resultado é o que todos nós sabemos, há modelos que funcionam bem para um intervalo de dois a três dias e que se afastam da realidade à medida que o intervalo aumenta.

    Mas tomemos o xadrez.
    Que é uma invenção humana.



    O xadrez, que é um universo finito, em que se conhecem integralmente as condições iniciais (32 peças ocupando 32 casas de um total de 64 possíveis, e em posições determinadas) e de que se conhece o mecanismo de evolução (as peças evoluem segundo regras simples e bem determinadas).
    E o que é que acontece?
    Acontece que com um universo tão insignificante, uma porção tão ínfima da complexidade das coisas, cujos estádios de evolução são em número finito (há um número finito de possibilidades de distribuição das peças sobre o tabuleiro), se atinge já um número astronómico de possibilidades finais.
    De uma ordem de grandeza tal, que os computadores actuais ainda não conseguem computar integralmente.

    O que é que isto nos diz?
    Diz-nos que estamos longe, muito longe, de ter a capacidade de prever qualquer tipo de fenómenos naturais com o rigor absoluto.
    Sejam eles os fenómenos atmosféricos ou outros quaisquer, sendo que ao entrar neste tipo de previsão absoluta, não há fronteiras.
    Tal como a gaivota que passou a borboleta pode desencadear o furacão, tudo o resto o pode.
    A cafeteira a ferver, a travagem brusca, a bola na rede, o tiro no escuro.

    É necessário conhecer as condições iniciais, os mecanismos e ter a capacidade de computação.
    Há então aqui um novo paradoxo.
    Conhecida finalmente a previsão, ela própria se constitui num novo factor do jogo, alimentando com novos dados o estádio das coisas.
    É necessário recalcular, recalcular...

    Deep Blue era o nome de uma das máquinas da IBM com a qual se defrontou Garry Kasparov.
    É também o azul profundo dos céus que vemos e ignoramos.
    Bem sei que deep blue não se traduz por azul profundo. Mas eu traduzo.

    tabuleiro de xadrez em
    imagem de isobáricas em




    Sombrio

    Há muitos anos, uma certa capa amarela, entre tantas, pois houve uma época em que as capas dos livros eram amarelas, despertou-me a curiosidade.
    O nome, a preto, trazia-me a vaga recordação de uma batalha de que ouvira falar, talvez na escola, talvez em casa.
    Lá o desarrumei da estante.
    A descrição do monumento que vinha no fim do livro era esmagadora, concordante com o que acabara de ler nas avassaladoras páginas, já elas também amarelecidas pelo tempo.
    Porque esse monumento paira na minha memória como uma obrigação de visita, não mais palavras



    85 anos e 5 dias depois do Armistício

    imagem em http://www.traveloutward.com/articles/europe/11-02_ww2_france.shtml